A tensão entre trabalhadores e administração da RTP voltou a subir depois de a Comissão de Trabalhadores ter denunciado que a empresa apresentou uma proposta de aumento salarial de 7,50 euros. A estrutura considera o valor “insuficiente e provocatório”, sobretudo por ficar muito abaixo dos 56,58 euros recomendados pelo Governo para o setor empresarial do Estado.
A crítica não se limita ao montante. A Comissão de Trabalhadores acusa a administração de avançar com um pacote de alterações que, no seu entender, agravam as condições laborais: o fim do subsídio de deslocação, o aumento para o triplo do valor pago pelos trabalhadores pelo seguro e a eliminação do desconto de 3% associado ao complemento de reforma. O subsídio de refeição permanece inalterado, apesar da subida generalizada dos preços.
Num comunicado particularmente duro, os representantes dos trabalhadores afirmam que a empresa está a ser “asfixiada” financeiramente, apontando o dedo ao Governo pela recusa em atualizar a Contribuição para o Audiovisual de acordo com a inflação. Essa decisão, dizem, traduz‑se numa perda de cerca de seis milhões de euros já em 2026, acumulando um total de 135 milhões desde 2017.
A Comissão de Trabalhadores fala numa “conivência preocupante” entre tutela e administração e sustenta que a negociação salarial deixou de ser um processo normal para se transformar numa escolha entre “aceitar o empobrecimento ou exigir respeito”.
Perante este cenário, foi lançado um apelo à mobilização para o plenário marcado para esta sexta‑feira, às 14:30, com sessões previstas em Lisboa, no Porto e também online. A administração da RTP não reagiu publicamente às críticas.