Os conselhos de redação da RTP (CR-TV) e da RDP (CR-Rádio) revelaram mais um comunicado e uma convocatória, esta quinta-feira à noite, dia 12, a que o 24Horas teve acesso. E a uniformização de todas as submarcas da estação pública e a futura Casa das Notícias são dois passos que, vistos em conjunto, preocupam todos os trabalhadores, numa “potencial perda de identidade e capacidade editorial”.
“Foi apresentada aos jornalistas como consolidada uma nova imagem para o grupo RTP. Prevê-se que a mudança iniciada com a RTP Notícias (no canal de televisão e no website) se estenda até ao final deste mês com uma nova imagem dos vários canais de televisão e de rádio. No caso das marcas da Antena 1, Antena 2 e Antena 3, as alterações são profundas, porque deixam para um plano secundário estes títulos históricos em detrimento de uma marca única (RTP) introduzida no início de cada nome”, começam por lamentar os jornalistas no referido documento.
“Segundo as imagens apresentadas internamente, os microfones passam a ser semelhantes, com RTP em destaque e todas as restantes marcas remetidas para baixo na esponja do microfone”, denunciam os conselhos de redação, dando exemplos concretos: “Quanto à RDP África e à RDP Internacional, são títulos que desaparecem do universo da rádio, absorvidos pela já existente RTP África e por uma nova RTP Mundo, sem que exista uma distinção entre as plataformas da televisão e da rádio.”
Em plenário da rádio, recorde-se, os jornalistas votaram por larga maioria (com apenas uma abstenção) a rejeição desta estratégia.
Nos planos do Governo da AD e da administração da RTP, liderada por Nicolau Santos, está uma Casa das Notícias, projeto que prevê fisicamente a concentração das redações de televisão, de rádio e de multimédia num único espaço em Lisboa, com cerca de 130 postos, num esforço apresentado como aproximação de redações. Há também mudanças tecnológicas, como a introdução de processos de automação e de softwares conjuntos.
Embora o projeto esteja numa fase inicial, os conselhos de redação receiam que esteja a ser aberto um caminho de convergência entre redações. “A crescente saída de jornalistas que não estão a ser substituídos, em especial na televisão, a aposta no digital – que não é aqui posta em causa – e a uniformização da imagem do grupo RTP são elementos que podem potenciar escolhas editoriais e que penalizam as plataformas.”
No comunicado, ambos os CR receiam que a rádio possa ser particularmente afetada, “limitando-se a selecionar e a emitir sons que chegam em bruto à redação nas situações em que for decidido editorialmente a presença de um único jornalista em representação da rádio e da televisão”: “Isto além da evidente perda para o jornalismo que menos uma pessoa representa – menos uma pergunta, menos um ângulo de reportagem.”
Com a RTP e a RDP a ferro e fogo com o plano do Governo de Luís Montenegro, os jornalistas da televisão, da rádio e da multimédia convocaram um plenário conjunto de jornalistas para quarta-feira, dia 18, às 14:30, nos auditórios do Porto e de Lisboa.