O Senado brasileiro aprovou por unanimidade o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, concluindo a tramitação no Congresso e formalizando a ratificação do tratado pelo poder legislativo. A decisão representa um passo decisivo após mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos.

O acordo prevê a redução progressiva de tarifas sobre a maioria dos produtos comercializados, com impacto direto em setores como o agronegócio, a indústria e o comércio. A abertura será faseada, com prazos que podem chegar a mais de uma década, consoante o tipo de produto.
Com a aprovação no Senado, o Brasil passa a integrar o grupo de países que já validaram o tratado, embora a entrada em vigor dependa ainda da conclusão do processo nos restantes membros do Mercosul e na União Europeia.
Do lado europeu, o cenário continua mais complexo e marcado por divisões internas. O acordo ainda precisa de ultrapassar etapas institucionais e enfrenta resistências políticas em alguns países, sobretudo devido a preocupações com o setor agrícola e questões ambientais.
Ainda assim, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está preparado para avançar com a aplicação provisória do acordo, mesmo sem a aprovação total por todos os Estados-membros. A intenção é permitir que as medidas comerciais comecem a produzir efeitos enquanto decorrem os restantes processos de ratificação.
O posicionamento de Bruxelas revela a urgência em colocar o acordo em prática, apesar dos entraves políticos, e reforça a importância estratégica do tratado num contexto global cada vez mais competitivo.