O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) denunciou, esta terça-feira, 6, a “situação crítica” vivida nas urgências do Hospital Amadora-Sintra de sexta-feira para sábado, que provocou a demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral.
“A equipa médica escalada era manifestamente insuficiente para a dimensão da afluência e da gravidade clínica existentes. Até à meia noite de 2 de janeiro a escala incluía um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois médicos na área ambulatória. A partir dessa hora e até às 8:00 de 3 de janeiro, permaneceu apenas um médico para todos os doentes da área ambulatória, uma situação absolutamente inaceitável do ponto de vista clínico e organizacional”, lê-se num comunicado. O SMZS acrescenta que, no início da noite, se encontravam 179 doentes em circulação na urgência, com mais de 60 doentes internados no serviço de observação.
Para o sindicato, esta é “uma situação absolutamente inaceitável do ponto de vista clínico e organizacional”.
O SMZS responsabiliza a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra pela “incapacidade de gestão” e lembra que esta está demissionária desde novembro, altura em que se demitiu na sequência do caso da morte de uma grávida e do bebé. O sindicato considera que os problemas no Amadora-Sintra são o “resultado de uma degradação progressiva e intencional do SNS”, promovida pela “inação do Governo”.
O SMZS considera que os tempos de espera atingiam “níveis inaceitáveis”, com os doentes triados como laranja (muito urgente) a esperarem mais de seis horas pela primeira observação médica e os doentes com pulseira amarela (urgente) a ultrapassar as 20 horas de espera: “Não se tratou de uma falha imprevista, mas sim da escala previamente definida, sem que tenha sido tomada qualquer medida para prevenir ou corrigir uma situação anunciada.”
O sindicato manifesta ainda solidariedade com os médicos e restantes profissionais de saúde que trabalham no hospital Amadora-Sintra.