Continuam as trocas e baldrocas na defesa de José Sócrates. De desistências a dispensas, entre novas nomeações e incompatibilidades, o arguido da Operação Marquês mantém uma autêntica ‘arruada’ por um advogado que o defenda.
Desta feita, o antigo primeiro-ministro confirmou a renúncia de José Preto como seu advogado no processo que o acusa de 22 crimes. Num requerimento enviado esta quarta-feira à juíza Susana Seca, que lidera o julgamento da Operação Marquês, Sócrates culpa o tribunal pelas falhas na sua defesa e antecede a interposição de novos recursos.
O ex-governante afirma-se “de novo sem advogado” e julga o tribunal por “considerar um internamento hospitalar como manobra dilatória”.
“Os recentes despachos judiciais em que o tribunal faz equivaler – sem nenhuma boa razão jurídica que sustente tal equivalência – os direitos de defesa e a celeridade processual, auguram mais uma forte discordância constitucional e mais recursos que deverei interpor para defender os meus direitos. Vejo-me novamente na necessidade de encontrar um novo advogado e a pergunta que me ocorre é se devo exigir um compromisso de honra de que não adoecerá, de que não será internado – de que não terá pneumonias?”, acrescenta o socialista.
Recorde-se que José Preto está Internado com uma pneumonia desde o final de dezembro, situação que tem provocado atrasos no retorno do julgamento de José Sócrates e que levou Susana Seca a nomear uma advogada oficiosa para o defender. Depois da jurisconsulta, Inês Louro, ter negado a defesa do antigo líder do PS, mencionando “objeção de consciência”, Ana velho foi nomeada, pedindo também escusa do processo, no entanto, indeferida pela juíza. Sócrates incompatibilizou-se com a advogada e nega a sua legitimidade, afirmando que procura um sucessor a José Preto. O advogado, agora renunciante, chegou ao processo para substituir Pedro Delille, que nos últimos anos defendeu Sócrates e acabou por também renunciar à sua defesa em novembro de 2025, por incompatibilidades com Susana Seca.
No âmbito da Operação Marquês, que envolve 21 arguidos acusados de 117 crimes, José Sócrates é pronunciado por várias ilegalidades, nomeadamente corrupção. Os atos criminosos foram cometidos entre 2005 e 2014.