A Prefeitura de São Paulo anunciou um conjunto de novas medidas de segurança e gestão de público para os próximos dias do Carnaval de rua, após os episódios de superlotação e tumultos registados durante o pré-Carnaval, sobretudo em megablocos realizados no centro da cidade e na zona do Parque do Ibirapuera.
Entre as principais mudanças está a presença de agentes da própria prefeitura dentro dos trios elétricos dos megablocos, com a função de acompanhar em tempo real o andamento dos desfiles e acionar protocolos de segurança sempre que necessário. A administração municipal decidiu ainda criar e reforçar rotas de fuga, especialmente em áreas consideradas críticas, como o circuito do Ibirapuera, onde foram abertas novas saídas pelo estacionamento da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e pela Rua Abílio Soares.
Outra medida anunciada foi o reposicionamento dos postos de atendimento médico, que passarão a funcionar também dentro das áreas de maior concentração de foliões, e não apenas no entorno. A prefeitura informou igualmente um reforço do efetivo da Guarda Civil Metropolitana, com aumento de cerca de 20% em relação ao ano anterior, além do uso intensivo de câmaras, drones e monitorização em tempo real.
As mudanças ocorrem após um fim de semana marcado por confusão, empurra-empurra e pessoas a passar mal, sobretudo na Rua da Consolação, onde a realização simultânea de dois megablocos provocou congestionamento extremo e obrigou as autoridades a intervir para dispersar o público.
O tema ganhou repercussão política com a manifestação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirmou não ser viável acomodar um público estimado em 1,5 milhão de pessoas naquele corredor urbano. “Não dá para ter 1,5 milhão de pessoas na Consolação”, declarou o governador, ao defender ajustes mais rigorosos no planeamento e no controlo de acesso aos grandes blocos.
Apesar das críticas, integrantes da equipa da prefeitura afirmaram ter recebido as reações com surpresa. Segundo interlocutores do executivo municipal, o entendimento interno é de que o plano operacional funcionou e que os episódios registados foram pontuais diante da dimensão do evento. A gestão sustenta que houve resposta rápida das forças de segurança e da saúde e que o Carnaval de rua segue a decorrer dentro dos parâmetros esperados.
Ainda assim, o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar as circunstâncias dos tumultos e avaliar se houve falhas no planeamento e na execução dos eventos, num Carnaval que, mais uma vez, expõe o desafio de conciliar grandes multidões com segurança e mobilidade numa das maiores cidades do mundo.