Tânia Laranjo abriu o coração numa entrevista, conversa conduzida pela filha, Francisca, em que revisitou mais de três décadas de carreira e refletiu sobre o impacto recente das reportagens nas tempestades, um período que, admite, trouxe um reconhecimento público particularmente visível.
Com 30 anos de profissão, a repórter considera que a recente onda de carinho que recebeu não representa propriamente uma vitória pessoal, mas, sim, o reconhecimento de um trabalho consistente ao longo dos anos. “É um reconhecimento de algum público que demorou e chegou. Não é tanto uma vitória, porque não é muito diferente do que fiz ao longo destes 30 anos”, afirmou, sublinhando que a projeção crescente da CMTV ajudou a tornar esse reconhecimento mais evidente.
O mediatismo em torno das reportagens durante o mau tempo acabou por marcar uma nova fase na relação com o público, sobretudo com gerações mais jovens. Entre as mensagens que mais a tocaram, destacou a reação de ouvintes da MegaHits, que, depois de brincarem com momentos virais, agradeceram o serviço prestado.
Ao longo da conversa, Tânia Laranjo recordou também os desafios de iniciar carreira: “Quando comecei, houve pessoas que me disseram que eu nunca faria televisão, porque já tinha 40 anos, porque era mais gorda que as mais magras, porque era mais velha. E acho que foi importante desconstruir isso, porque, durante muitos anos, a televisão era só boneco e o conteúdo não contava.”
Numa redação dominada por homens, admite que as mulheres tinham de provar mais e lidar com contextos difíceis. Ainda assim, considera que a evolução do jornalismo trouxe maior equilíbrio e abriu caminho para que o conteúdo se sobreponha à imagem. “Trabalhei mais, provei mais, eram redações muito mais difíceis. As mulheres tinham de provar muito mais. Eram muito mais sexualizadas, até no trabalho, era muito mais difícil singrar do que é hoje”, desabafou.
No balanço de uma carreira longa e intensa, a jornalista da CMTV mostrou-se orgulhosa do percurso profissional e do papel enquanto mãe, defendendo que o tempo com a família se mede pela qualidade e não pela quantidade: “Os tempos não se podem medir pela quantidade. Todos nós conhecemos pais que estão muitas horas com os filhos, mas não estão em qualidade com os filhos. E depois tu também cresceste um bocadinho nas redações. Portanto, mesmo quando eu estava a trabalhar, tu estavas ali e estiveste sempre próxima.”