A evolução da campanha eleitoral para as presidenciais tem sido marcada, apesar de os candidatos o negarem, pela divulgação dos resultados da tracking poll da Pitagória para a TVI/CNN Portugal.
Mas afinal, quais são as características desta técnica de pesquisa da opinião pública? “Quando é realizada na proximidade das eleições, permite detetar aqueles pequenos movimentos que, eventualmente, podem se transformar em movimentos expressivos, que seriam percebidos apenas adiante na pesquisa de boca de urna ou na apuração dos resultados eleitorais”, explica ao 24Horas António Lavareda, presidente do conselho científico do IPESPE.
“Portugal tem uma tradição de fazer trackings eleitorais”, relembra o responsável. O próprio IPESPE realizou, em 2023, juntamente com a empresa associada em Portugal, a Duplimétrica, a tracking poll das eleições legislativas para a mesma TVI e a CNN Portugal. “O Brasil não tem essa tradição de divulgar trackings, mas tem uma tradição de realizar trackings eleitorais para partidos e para candidatos há muito tempo”, contextualiza. “Portugal é pioneiro em empresas de media divulgam trackings.”
António Lavareda, que é autor do livro ‘Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais’ (edição Objetiva), sobre estudos de opinião e campanhas eleitorais, coordenou o primeiro tracking poll numa eleição no Brasil. Foi para a campanha de Fernando Henrique Cardoso em 1994, num trabalho de campo executado pelo Ibope. Na atualidade, a tracking poll é regra nas campanhas eleitorais nacionais no Brasil.
A nível mundial, a técnica de tracking poll surge em 1980, na primeira campanha de Ronald Reagan, que levaria o candidato republicano à Casa Branca.