Pelo menos três militantes do Chega constam entre os 37 detidos na megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) que visou o desmantelamento do grupo neonazi 1143.
Segundo o Jornal de Notícias, estão em causa Rui Roque, João Peixoto Branco, ambos de 37 anos, e Rita Castro (29), todos com ligações ao partido de André Ventura e já candidatos em atos eleitorais. Os três foram indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, no âmbito de alegados episódios dirigidos contra comunidades imigrantes.
Rui Roque, apontado como líder do núcleo de Faro do grupo 1143, tornou-se conhecido no seio do Chega após ter apresentado, no Congresso do partido em Évora, em 2020, uma moção que defendia a retirada dos ovários a mulheres que recorressem ao aborto. A proposta acabou rejeitada, com 59 votos a favor e 240 contra.
João Peixoto Branco integrou a concelhia do Chega em Guimarães, mantendo-se, de acordo com a mesma fonte, como militante do partido. Em 2021, foi candidato à Junta de Freguesia de Selho São Lourenço e Gominhães. O seu nome surge ainda associado a episódios de violência em ações públicas do grupo 1143, incluindo a agressão a um ativista antifascista, ocorrida em junho, na Cidade Berço.
Rita Castro, residente na mesma freguesia, ficou em 2.º lugar da lista do Chega à Câmara Municipal de Guimarães, nas eleições autárquicas de 2021.
Além dos detidos, o processo menciona ainda Tirso Faria, apontado como líder do núcleo de Santo Tirso do 1143 e igualmente militante do Chega. Apesar de referenciado na investigação, não foi detido no âmbito desta operação.
Recorde-se que a operação policial, denominada ‘Irmandade’, foi realizada esta terça-feira, dia 20, em vários pontos do País e culminou na detenção de 37 suspeitos e na constituição de 15 arguidos. Entre os detidos encontram-se ainda um agente da PSP e um militar das Forças Armadas, segundo confirmou a Polícia Judiciária.