O primeiro dia da greve dos guardas prisionais no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, em Alcoentre, registou uma adesão de 90%, segundo dados avançados pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). O protesto, que se prolonga até 30 de abril, surge como resposta à persistente falta de segurança na unidade de onde fugiram cinco reclusos em 2024.
Apesar das promessas da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), o sindicato denuncia que medidas críticas — como o funcionamento de inibidores de sinal para telemóveis e drones ou a colocação de redes nos pátios — continuam por executar. Frederico Morais, presidente do SNCGP, sublinha que o corpo de guarda “não pode compactuar com a insegurança”, apontando ainda o fracasso nos concursos para a construção de novas torres de vigilância.
Com a manutenção de apenas serviços mínimos, o impacto no quotidiano da prisão é severo: os reclusos sem atividade passam a estar 22 horas confinados às celas, as visitas foram reduzidas a uma por semana e as deslocações a tribunais ou consultas médicas sofrem fortes condicionamentos. O sindicato, que chegou a ponderar desconvocar a greve em fevereiro, mantém agora a paralisação até que as melhorias estruturais passem do papel à prática.