A subida dos preços da habitação não se reflete apenas no arrendamento ou compra de casas. Em Lisboa, mas também nos subúrbios, o custo dos quartos atingiu valores inéditos.
Na capital, o quarto mais caro disponível neste momento fica nos 1050 euros. É individual e localiza-se no Chiado. Consultando o site Idealista, também se arranjam quartos por 650 ou 700 euros em casas com até 14 quartos, ou seja, o hóspede terá de partilhar a sua vida com os outros.
Quartos mais baratos só na antiga Zona J, atual bairro do Condado, em Chelas, por 400 euros. Na Serafina, sobe para 500. No Conde de Redondo, zona conhecida pela prostituição de rua durante a noite, arranja-se a 450 euros. Neste caso, partilhando o apartamento com mais cinco pessoas.
O fenómeno repete-se na linha de Sintra. O 24Horas encontrou um anúncio de um quarto duplo, no Cacém, por 625 euros. Ligamos e fizemo-nos passar por pais de um estudante que vem para a capital no próximo ano letivo.
“Não passamos recibos. Em todo o lado é assim, nunca se passa recibo, senão ficava muito mais caro”, justifica o angariador do outro lado da linha. E avança com outra proposta: “Ele pode ficar em minha casa, em Carcavelos. Estou a alugar um quarto, mas é um bocadinho mais caro, são 600 euros só para uma pessoa”. De seguida, o angariador descreve o ambiente que, alegadamente, se vive na Linha de Sintra. “Ele fica melhor em minha casa, porque no Cacém os hóspedes são mais à base de trabalhadores e cabo-verdianos, angolanos e santomenses.”
Um quarto a preços realmente baixos, só mesmo partilhando com outras pessoas. No Idealista, o mais barato que encontrámos na região de Lisboa localiza-se em Olival Basto, concelho de Loures. Custa 220 euros por pessoa. Dorme-se num quarto para quatro hóspedes, em dois beliches.