No dia da apresentação oficial de ‘A Arte de Curar a Alma’, esta quinta-feira, 16, na FNAC do Colombo, em Lisboa, Judite Sousa falou, em exclusivo, com o 24Horas. A ex-jornalista da RTP, TVI, CNN Portugal – e agora comentadora política no NOW – abre o coração para nos dar a conhecer um pouco melhor este livro que assinala a sua estreia na escrita ficcionada e que conta a história de dez mulheres marcadas pelo abandono, desamor, traição, assédio moral e violência psicológica.
O que a levou a escrever ‘A Arte de Curar a Alma’ e a centrar-se nestas feridas invisíveis que tantas vezes ficam por assumir?
A minha intenção corresponde a uma tentativa de compreender o universo feminino nas histórias de vida de dez mulheres que ficcionei. Não são feridas invisíveis. São problemas reais que enquadro historicamente e clinicamente.
O livro parte de dez histórias marcantes. Como escolheu estas mulheres, e o que é que elas revelam sobre o sofrimento silencioso que atravessa a vida de tantas pessoas?
Não é um livro de sofrimento. É um livro de superação e de transformação. Os nomes são aleatórios. O que relevo são as experiências de vida das dez mulheres que ficcionei. Cada experiência de vida é enquadrada historicamente, e em alguns casos clinicamente.
Na sinopse, fala-se de “batalhas silenciosas” e de “âncoras” que vamos, ou não, encontrando pelo caminho. O que é, para si, aquilo que verdadeiramente pode ajudar alguém a curar a alma?
Somos nós próprios, com o nosso cérebro, que podemos influenciar o nosso caminho. Faz-se muitas vezes uma comparação entre o coração e o cérebro. No livro, digo que o coração comparado com o cérebro é uma casa de bonecas.
Este é um livro sobre dor, mas também sobre resistência. Foi importante para si que estas histórias não fossem apenas relatos de queda, mas também de reconstrução?
A intenção é essa: transformação e superação. São as mensagens fundamentais do livro.
Já disse que esta obra retrata “problemas reais” de dez mulheres. Até que ponto quis fazer deste livro também um espelho da sociedade portuguesa contemporânea?
É um espelho do mundo contemporâneo. No desamor, na indiferença. É interessante notar que a filha da Carolina do Mónaco, Carlota Casiraghi, acaba de publicar um livro que se chama ‘A Fissura’. As fragilidades emocionais moldam o ser humano. A ideia do meu livro é levar o leitor a pensar sobre isso.
Há no livro um olhar muito forte sobre o universo feminino. Considera que as mulheres continuam a ser, muitas vezes, obrigadas a suportar dores em silêncio?
O livro tem sentimentos, emoções e muita História. Até falo na guerra da Ucrânia com os Bolcheviques, em 1918.
O livro cruza emoção, experiência humana e até contributos da medicina. Como trabalhou esse equilíbrio entre sensibilidade narrativa e vontade de compreender a dor de forma mais ampla?
Publico no livro a minha bibliografia. Li mais de 60 livros para escrever ‘A Arte de Curar a Alma’.
Escrever este livro foi também, de alguma maneira, um exercício pessoal de cura ou de reencontro consigo própria?
Fizeram essa pergunta uma vez ao Gabriel García Márquez, que é Nobel da Literatura, e ele respondeu: “Ninguém escreve a partir do vazio.”
No fim da leitura, qual é a principal ideia que gostaria que cada leitor levasse consigo de ‘A Arte de Curar a Alma’?
Uma das frases que eu sinto como mais inspiradora foi dita pela escritora brasileira nascida na Ucrânia, Clarisse Lispector: “Eu sou mais forte do que Eu”