A filha de José Manuel Anes, ex-presidente do Observatório de Segurança, foi acusada pelo Ministério Público (MP) de homicídio simples por tentar matar o próprio pai. Ana Anes, de 53 anos, pode apanhar até oito anos de prisão.
Na acusação, a procuradora Felismina Franco, inviabiliza a tese de que as agressões da arguida contra o pai tenham obedecido a um plano. À semelhança do que tinha feito no primeiro interrogatório judicial, Ana Anes justifica o ataque ao pai com o facto de saber que o mesmo terá feito a bomba que levou à queda do avião do primeiro-ministro Sá Carneiro, em 1980, segundo o Correio da Manhã.
O advogado da arguida, João Trindade, defende “que não foi encontrado qualquer objeto corto-perfurante, apesar de o despacho referir que a vítima tinha perfurações”. Assim sendo, considera não ter existido dolo, o que inviabiliza a acusação de homicídio qualificado.
João Trindade lembra ainda que quando os factos ocorreram, Ana Anes já tinha sido diagnosticada com bipolaridade. A arguida está, desde janeiro “detida no hospital-prisão de Caxias, com tratamento médico permanente”.
A escritora, recorde-se, atacou o pai a 20 de outubro do ano passado. Após o ataque, José Manuel Anes teve de receber assistência hospitalar.