Um incidente grave registado na quinta-feira, 30, no Aeroporto de São Paulo-Congonhas colocou duas aeronaves comerciais a apenas 22 metros de distância, numa situação de risco extremo que foi evitada no último instante graças à intervenção do controlo de tráfego aéreo.
O episódio envolveu aviões das companhias Gol Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas durante operações simultâneas de aterragem e descolagem. Um Boeing 737 da Gol encontrava-se em aproximação final, enquanto um Embraer da Azul iniciava o procedimento de descolagem na mesma pista.
De acordo com informações apuradas, o controlador aéreo manteve sempre a consciência situacional e atuou de forma decisiva ao identificar o risco. Perante a proximidade perigosa entre as aeronaves, ordenou de imediato a arremetida do avião da Gol, instruindo a tripulação a efetuar uma curva à direita para evitar qualquer possibilidade de colisão.
Em paralelo, foi também transmitida ordem para que a aeronave da Azul abortasse a descolagem. No entanto, terá ocorrido uma falha de comunicação, o que levou a que a manobra não fosse executada a tempo.
Esse desfasamento de reação contribuiu para que a distância entre os dois aviões se reduzisse drasticamente, atingindo os 22 metros – uma margem considerada crítica nos padrões da aviação internacional.
A rápida execução da arremetida por parte da Gol, aliada à separação de trajetórias, acabou por ser determinante para evitar o pior. Após o incidente, a aeronave da Gol regressou para uma nova aproximação e aterrou em segurança, enquanto o avião da Azul prosseguiu o voo sem registo de anomalias adicionais.
Apesar da gravidade, não houve feridos nem danos materiais, sendo o caso classificado como incidente. Ainda assim, a ocorrência deverá ser analisada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, que irá apurar em detalhe as circunstâncias e, em particular, a eventual falha de comunicação no cockpit da aeronave da Azul.
O caso reacende a atenção sobre a importância da coordenação precisa entre pilotos e controladores, sobretudo em aeroportos com elevada densidade de tráfego como Congonhas, onde os intervalos entre operações são reduzidos e a margem de erro praticamente inexistente.
Canal Golf Oscar Romeo / internet