Até onde a perturbação pode chegar quando a fé ignora as regras de convivência? Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a ‘pastora mirim’ Júlia Ortiz, de 11 anos, a ser interpelada por comissários da LATAM após iniciar uma pregação em pleno voo. O incidente, ocorrido num trajeto entre São Paulo e Navegantes, levanta questões sobre a segurança e o limite do proselitismo em espaços públicos e confinados.
No vídeo, Júlia levanta-se com uma Bíblia e começa a pregar para os passageiros, sendo interrompida pela tripulação, que relembrou a proibição de discursos que perturbem o sossego alheio e a obrigatoriedade de permanecer sentado por questões de segurança.
Com mais de 470 mil seguidores nas redes sociais, Júlia Ortiz não é estreante nestas andanças. O seu perfil está repleto de registos em que realiza pregações em locais de grande circulação, como ruas e autocarros. A jovem já apareceu inclusive ao lado de Miguel Oliveira, o “profeta mirim” que, no ano passado, foi alvo de uma medida cautelar que o impediu temporariamente de utilizar as redes sociais e de pregar, devido à sua condição de menor de idade.
Embora o vídeo termine sem um desfecho claro sobre o que aconteceu após a intervenção dos comissários, o caso reforça uma tendência preocupante de exposição de menores em contextos de autoridade religiosa. A resistência de Júlia em aceitar as normas da companhia, argumentando que a Bíblia “prevê” tal conduta, coloca em xeque o equilíbrio entre a liberdade religiosa e o cumprimento das leis civis que garantem a ordem e a segurança de todos os passageiros.