Cuba respondeu com dureza às novas ameaças de Donald Trump sobre a ilha, rejeitando qualquer cedência e acusando Washington de recorrer à intimidação num momento de escalada regional após a guerra no Irão.
A reação desta nação comunista surge depois do presidente dos EUA ter voltado a sugerir, nas últimas horas, que a questão cubana ficaria para depois do conflito iraniano, afirmando que queria “finish this one first” e que depois seria “just a question of time” até Cuba estar em causa. Noutra declaração, foi ainda mais longe ao admitir que a situação poderia, ou não, resultar numa “friendly takeover”.
A resposta de Havana foi dada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, que classificou a nova ofensiva norte-americana como “unilateral coercive measures” e “collective punishment” contra o seu povo. Segundo a Reuters, o chefe da diplomacia cubana afirmou também que estas medidas violam a Carta das Nações Unidas e sublinhou que os Estados Unidos “have no authority” para impor esse tipo de sanções ao país ou a terceiros.
O endurecimento verbal de ambos os lados acontece num contexto de tensão crescente. A administração Trump ampliou esta semana as sanções contra o governo cubano, atingindo pessoas, entidades e redes ligadas ao aparelho de segurança, à energia, às finanças e à mineração, incluindo sanções secundárias para terceiros que facilitem negócios com os visados. A Casa Branca justifica a medida com acusações de corrupção, violações de direitos humanos e atividade hostil contra os Estados Unidos.
Do lado cubano, a mensagem foi de desafio e resistência. Já em março, o vice-ministro Carlos Fernández de Cossío avisara que Cuba está preparada para um eventual ataque, embora considerasse improvável uma invasão direta. “Seria ingénuo não nos prepararmos”, resumiu então, também à Reuters.