Pedro Sánchez, de 54 anos, exigiu na Andaluzia a libertação do cidadão espanhol detido por Israel após a interceção da flotilha humanitária com destino a Gaza, agravando ainda mais a tensão diplomática entre Madrid e Telavive.
Num ato político em Cártama, na província de Málaga, o chefe do governo espanhol reclamou a libertação imediata de Saif Abukeshek, cidadão com nacionalidade espanhola e sueca, e classificou a sua captura como um “sequestro”, acusando Israel de atuar fora do direito internacional.
Na intervenção, o socialista voltou a endurecer o discurso contra o executivo israelita, ao sustentar que a abordagem à flotilha ocorreu em águas internacionais e representa mais uma violação das normas internacionais. Segundo a agência Anadolu, Sánchez afirmou que “Israel está, uma vez mais, a violar o direito internacional ao assaltar uma flotilha civil em águas que não lhe pertencem” e garantiu que o governo espanhol está a fazer “tudo o que for necessário” para proteger e assistir os nacionais envolvidos.
O episódio surge num contexto de crescente fricção entre Espanha e Israel. A Associated Press noticiou que a detenção de Abukeshek, porta-voz de uma iniciativa de ajuda a Gaza, aprofundou a crise diplomática já aberta entre os dois países, com o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, a considerar igualmente que a detenção foi ilegal e a pedir a libertação imediata do ativista.
Na Andaluzia, Sánchez aproveitou ainda para dar dimensão política interna ao caso, questionando se “aqueles que falam tanto de pátria” iriam acompanhar a exigência de libertação dirigida a um governo que, disse, “viola constantemente o direito internacional”. A mensagem transformou um incidente consular num novo frente de confronto diplomático e político, ao mesmo tempo que reforçou a linha de Madrid de pressão sobre Israel em matéria de Gaza, direito internacional e proteção dos seus cidadãos.