O mercado da aviação mundial acordou com uma notícia que promete abalar as estruturas das viagens de baixo custo. A Spirit Airlines, a maior companhia ‘ultra-low-cost’ dos Estados Unidos e uma das referências mundiais do setor, anunciou o encerramento imediato de todas as suas operações.
Após anos de luta financeira, a empresa não resistiu ao peso de uma dívida bilionária e à falta de investidores.
Embora a Spirit não opere voos diretos para Portugal, o seu colapso tem repercussões diretas para a comunidade portuguesa residente na América do Norte e para milhares de turistas que utilizam a companhia para ligações internas entre cidades como Newark, Miami ou Orlando.
As autoridades aeronáuticas emitiram um aviso invulgar: ‘Os passageiros não devem deslocar-se aos aeroportos’. Sem pessoal de terra e com os balcões encerrados, não há possibilidade de assistência presencial. A recomendação é que a gestão de reembolsos seja feita exclusivamente por via digital.
Para os passageiros afetados por este encerramento inesperado, o processo de devolução do dinheiro será complexo, mas segue as normas internacionais de proteção ao consumidor:
‘Estorno bancário’ (Chargeback): A via mais eficaz é contactar a instituição bancária e solicitar o cancelamento do pagamento por “não prestação de serviço”.
Seguros de Viagem: os viajantes que contrataram seguros de proteção contra insolvência de transportadoras aéreas devem ativar a apólice de imediato para cobrir não só o voo, mas eventuais estadias forçadas.
Agências de viagem: caso a reserva tenha sido feita através de pacotes turísticos, a responsabilidade de realocação ou reembolso recai sobre a agência vendedora.
A queda da Spirit é vista por analistas como o “canário na mina” para a economia norte-americana. O aumento dos combustíveis e a inflação galopante tornaram o modelo de bilhetes extremamente baratos insustentável.
O governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, ainda tentou uma última cartada com uma proposta de financiamento público, mas os credores privados recusaram-se a ceder. O desaparecimento desta operadora deixa o mercado menos competitivo, prevendo-se agora uma subida generalizada nos preços das passagens aéreas em todas as rotas transatlânticas e domésticas.