A presidente do México, Claudia Sheinbaum, respondeu de forma dura às recentes declarações de Isabel Díaz Ayuso, reacendendo a tensão política e simbólica em torno da herança da conquista espanhola na América Latina.
Num discurso oficial durante as comemorações do 5 de maio, data histórica que assinala a resistência mexicana na Batalha de Puebla, Sheinbaum criticou frontalmente as posições que procuram valorizar figuras como Hernán Cortés. “Quem tenta reivindicar Cortés e as suas atrocidades está destinado à derrota”, afirmou, numa mensagem interpretada como uma resposta direta às posições defendidas por Ayuso durante a sua recente visita ao México.
A controvérsia teve origem num evento realizado na Cidade do México, onde a líder madrilena participou num ato de exaltação do “mestizaje” e da herança histórica comum entre Espanha e México, defendendo uma leitura positiva da conquista. Essa posição gerou críticas de setores políticos e sociais mexicanos, incluindo protestos de grupos indígenas, que consideram a glorificação da conquista uma afronta à memória histórica.

Sem mencionar diretamente Ayuso pelo nome, Sheinbaum reforçou uma narrativa centrada na soberania e na dignidade histórica do México, rejeitando interpretações que minimizem os impactos da colonização. A presidente sublinhou ainda que discursos que tentam “reviver a conquista como salvação” ou que subestimam o povo mexicano estão igualmente condenados ao fracasso.
O episódio evidencia um novo foco de tensão política entre setores conservadores espanhóis e o atual governo mexicano, num momento em que as relações bilaterais continuam marcadas por divergências ideológicas e leituras distintas do passado histórico comum.