A pouco mais de uma semana das eleições legislativas em Cabo Verde, marcadas para 18 de maio, as últimas sondagens conhecidas apontam para uma disputa particularmente equilibrada entre o MpD, atualmente no poder, e o PAICV, principal partido da oposição.
Apesar de os estudos divulgados darem uma ligeira vantagem à força liderada pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, o cenário permanece em aberto, sobretudo devido ao elevado número de indecisos e ao peso que alguns círculos eleitorais poderão assumir no resultado final.
A mais recente sondagem nacional da Afrosondagem coloca o MpD na frente das intenções de voto, com 31%, contra 25% do PAICV e 4% da UCID. Contudo, os números revelam igualmente que cerca de 14% dos eleitores continuam indecisos e que 17% admitem não votar em nenhum partido, um dado que deixa margem para alterações significativas até ao dia da votação.
Estas eleições assumem uma importância política acrescida por colocarem frente a frente duas figuras com forte notoriedade pública. De um lado, Ulisses Correia e Silva procura renovar o mandato e garantir a continuidade de um ciclo governativo iniciado em 2016. Do outro, surge Francisco Carvalho, atual presidente da Câmara Municipal da Praia, figura controversa, e que não reúne o consenso entre os militantes do seu próprio partido, que se transformou no principal rosto da renovação do PAICV e numa das figuras políticas mais mediáticas do país.
A disputa deverá decidir-se sobretudo nos grandes círculos eleitorais de Santiago, onde o PAICV apresenta sinais de maior robustez, enquanto o MpD continua a demonstrar vantagem em ilhas como Sal e Fogo. Segundo os dados divulgados, o partido do governo mantém uma base eleitoral sólida entre os eleitores mais velhos, ao passo que o PAICV surge mais competitivo entre os segmentos urbanos e parte do eleitorado jovem.
No entanto, o 24Horas apurou que uma sondagem interna, encomendada pelo MpD, e cujos resultados foram recebidos há 2 ou 3 dias, dá pela primeira vez o partido do governo ligeiramente à frente na Cidade da Praia, o que veio incutir algum otimismo nas hostes do partido de Ulisses Correia da Silva.
Outro fator relevante será a capacidade de mobilização eleitoral. As sondagens indicam uma predisposição elevada para votar, com cerca de 72% dos inquiridos a afirmarem que pretendem participar nas eleições, algo que poderá beneficiar os dois maiores partidos e reduzir o espaço político da UCID e das restantes formações mais pequenas.
Ainda assim, analistas políticos cabo-verdianos admitem que a diferença final entre MpD e PAICV poderá ser mínima, tornando decisivos os últimos dias de campanha e a capacidade de cada líder mobilizar os indecisos.
A eventual manutenção da maioria absoluta do MpD continua a ser uma possibilidade, mas cresce igualmente o cenário de um Parlamento mais fragmentado, obrigando a novos equilíbrios políticos na Assembleia Nacional, composta por 72 deputados.
Num país tradicionalmente marcado pela estabilidade democrática e pela alternância entre os dois grandes partidos históricos, as legislativas de maio prometem transformar-se numa das eleições mais disputadas dos últimos anos em Cabo Verde.