A Polícia Federal prendeu, em Goiás, Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada como uma das líderes de um esquema milionário de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Segundo as investigações, o grupo chefiado pela suspeita teria movimentado cerca de R$ 45 milhões, o equivalente a aproximadamente 7 milhões de euros.
De acordo com a PF, os cinco grupos criminosos investigados movimentaram juntos cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023, valor que ultrapassa os 37 milhões de euros. A operação revelou uma estrutura altamente organizada dedicada a levar brasileiros ilegalmente para território norte-americano.
Os investigadores afirmam que as organizações ofereciam pacotes completos para a travessia clandestina até os EUA. O esquema incluía falsificação de documentos, definição de rotas ilegais pela América Central e apoio logístico durante toda a viagem.
A Polícia Federal acredita que dezenas de pessoas tenham recorrido ao serviço nos últimos anos, muitas vezes pagando valores elevados e contraindo dívidas para tentar entrar nos Estados Unidos.
Segundo as investigações, o dinheiro circulava através de contas bancárias de terceiros, empresas de fachada e movimentações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelos suspeitos. A análise financeira foi um dos factores que ajudou a polícia a avançar com a operação.
Durante as buscas, agentes federais apreenderam telemóveis, computadores, documentos e comprovativos bancários que agora serão analisados para aprofundar as investigações.
A PF também investiga possíveis ligações internacionais e não descarta que o esquema tenha ramificações noutros estados brasileiros e fora do país. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e falsificação documental.
As autoridades alertam ainda que muitos migrantes eram colocados em situações extremas durante o percurso, enfrentando travessias perigosas e áreas controladas por grupos criminosos ligados ao tráfico de pessoas.