A mulher do ex-deputado do Chega Miguel Arruda também vai a julgamento, no âmbito do caso do roubo de malas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Ana Luísa está acusado do crime de recetação, por suspeitas de ter recebido objetos que sabia, alegadamente, serem roubados.
O casal tinha pedido a abertura de instrução – um processo facultativo que antecede a fase de julgamento e tem como objetivo avaliar se existem indícios suficientes para julgar. O tribunal rejeitou o pedido de Miguel Arruda, mas aceitou o da mulher.
Os motivos do pedido de abertura do caso de Ana Luísa Arruda prendiam-se com a nulidade do inquérito, alegando a mulher não ter sido confrontada com os factos que constam na acusação; defendeu que os factos descritos pelo Ministério Público em relação a si não constituem crime e, ainda, que o mandado de busca a casa deveria ser considerado nulo, uma vez que não abrangia todas as partes da habitação.
Depois da análise, o juiz Nuno Dias Costa, responsável pela instrução, decidiu que Ana Luísa Arruda vai a julgamento, por considerar que os argumentos apresentados pela defesa são infundados. “Os factos que lá [na acusação] estão descritos constituem crime, nomeadamente o de recetação”, crime pelo qual a mulher está acusada, explicou.
Já Miguel Arruda viu rejeitado o pedido de abertura de instrução, mas recorreu da decisão e aguarda novas indicações. Se o recurso for aceite, a ida a julgamento pode ser adiada.
O ex-Chega está acusado pelo Ministério Público de 21 crimes de furto qualificado por ter, alegadamente, furtado 21 malas, cinco das quais de uma só vez, no Aeroporto de Lisboa. O conteúdo que encontrou dentro das malas viria a totalizar cerca de 12 mil euros. Os crimes terão ocorrido entre outubro de 2024 e janeiro de 2025.
Já Ana Luísa Arruda foi acusada do crime de recetação, por ter presumivelmente usufruído de roupa e outros bens que saberia serem furtados pelo marido. Em causa está uma série de mensagens trocadas entre o casal, que indicam o conhecimento dos crimes cometidos.
A poucos dias de Miguel Arruda ser detido, a 14 de janeiro de 2025, o então deputado do Chega enviou à esposa fotografias de um par de sapatilhas da marca Adidas, um par de sapatos de vela e umas botas de salto baixo. Os bens pertenciam a uma mala furtada, cujo conteúdo viria a ser avaliado em perto de 5 mil e 500 euros.
Ana Luísa Arruda confessou, na resposta, ter ficado “nervosa” com as “compras” do marido. Noutra mensagem, lembrou o marido de que havia câmaras de vigilância nos aeroportos e pediu que não voltasse a furtar mais malas.
Depois do caso vir a público, Miguel Arruda desfiliou-se do Chega, partido pelo qual foi eleito deputado à Assembleia da República, em março de 2024. Tornou-se deputado independente depois de ser constituído arguido em janeiro de 2025, embora tenha negado a prática dos crimes.