A entrevista dada por Cristina Ferreira, de 48 anos, onde reagiu às críticas geradas pelas declarações feitas no programa ‘Dois às 10’, relacionadas com o caso dos quatro influenciadores acusados de violar uma menor de 16 anos, reacendeu a polémica. Após a emissão do ‘Jornal Nacional’, da TVI, multiplicaram-se as reações no espaço público, incluindo a da atriz e realizadora Ana Rocha de Sousa (47), autora do filme ‘Listen’, distinguido internacionalmente. A cineasta recorreu às redes sociais para partilhar um extenso texto, no qual apelou a uma reflexão mais profunda sobre o tema.
“Eu da minha parte desejo zero mal à Cristina. E da minha parte gostaria só e apenas que fosse admitido publicamente (…) admitir que errou na escolha das palavras e como isso teria sido mais fácil e benéfico para todos”, começou por escrever.
Ana Rocha de Sousa sublinhou que o foco do debate não deve recair sobre as vítimas, mas sim sobre os agressores. “A pergunta não tem de ser nunca feita a vítima nenhuma se disse que não e como disse que não!”, afirmou, defendendo uma mudança de paradigma na forma como estes casos são abordados.
A realizadora acrescentou ainda que é essencial questionar o comportamento dos agressores: “Nós, sociedade, temos todos de mudar de perspetiva (…) perguntar aos agressores: quando é que a vítima lhe disse que sim? Como assumiu que era um sim que a vítima estava a dizer? Quando teve a certeza e porque é que decidiu continuar acreditando que era sim se não ouviu um sim? Se a vítima não disse que sim porquê e como assumiu um sim?”
Na parte final da publicação, deixou um apelo direto à consciencialização, garantindo que a “ausência de consentimento não depende de se ouvir nenhum não”, realçando que muitas das vezes “congelar em silêncio é um não”.