A pressão sobre os serviços de urgência da Unidade Local de Saúde (ULS) de Aveiro voltou a atingir níveis críticos, vários profissionais denunciaram tempos de espera elevados, falta de macas e constrangimentos graves na resposta assistencial, nomeadamente na assistência a grávidas.
Segundo várias fontes médicas, a incapacidade de escoar doentes do Serviço de Urgência para o internamento tem provocado um efeito de bloqueio à entrada. “Estamos em abril e não há macas suficientes para receber os doentes e libertar as ambulâncias”, refere um clínico, que descreve uma situação de saturação persistente.
Este congestionamento tem impacto direto no funcionamento do sistema de emergência pré-hospitalar. Ambulâncias permanecem retidas à porta do hospital, impossibilitadas de retomar a sua atividade, o que compromete a resposta a novos pedidos urgentes. Entre os casos mais sensíveis, há relatos de atrasos no transporte de grávidas que necessitavam de transferência, devido à indisponibilidade de meios.
Paralelamente, a falta de camas de internamento está a obrigar ao cancelamento de atividade programada. “Hoje haverá cancelamentos do bloco, novamente. Não há camas para deitar os doentes, nomeadamente da cirurgia geral”, refere outro profissional de saúde daquele hospital, apontando para uma disrupção que se estende para além da urgência e afeta todo o hospital.
Os profissionais sublinham que esta não é uma situação pontual, mas sim um problema estrutural, que se arrasta e tende a agravar-se com a aproximação dos períodos de maior procura.
No centro desta crise está também uma falha de liderança. Médicos ouvidos denunciam a ausência de resposta eficaz por parte do Conselho de Administração da ULS Aveiro, apontando falta de coordenação, incapacidade de antecipação e ausência de medidas concretas para aliviar a pressão sobre a urgência. Até ao momento, não foram apresentadas soluções estruturadas nem consistentes, o que agrava a perceção de descontrolo.
Num sistema já sob forte pressão, a ausência de decisão e de liderança operacional agrava um problema que deixou de ser conjuntural para se tornar crónico, com impacto direto na segurança dos doentes e na capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.