A Zona da Mata mineira vive o seu momento mais dramático das últimas décadas. De acordo com o balanço atualizado pelas autoridades brasileiras, esta quinta-feira, dia 26, subiu para 49 o número de vítimas mortais em consequência das cheias e deslizamentos de terra. A situação, que já era catastrófica, agravou-se nas últimas horas com nova precipitação intensa durante a madrugada, que forçou a interrupção das buscas e novas ordens de evacuação em áreas de risco.
O motor desta destruição sem precedentes foi a formação de uma ‘supercélula’ sobre as cidades de Juiz de Fora e Ubá. Trata-se de um fenómeno meteorológico de extrema violência, caracterizado por nuvens de tempestade com uma forte corrente ascendente em rotação (mesociclone). Estas estruturas funcionam como autênticas ‘máquinas de chuva’, capazes de despejar volumes de água colossais num curto espaço de tempo e provocar ventos destrutivos.
Em Juiz de Fora, a supercélula fez com que a precipitação acumulada em 24 horas superasse o dobro do esperado para todo o mês de fevereiro. O resultado foi o transbordo catastrófico do Rio Paraibuna e o colapso de encostas em bairros como o Vila Ideal, onde habitações inteiras foram varridas pelo lodo. Já em Ubá, a violência das enxurradas foi tal que caixões de uma funerária e dezenas de veículos de concessonárias foram arrastados pelas ruas, imagens que estão a chocar a opinião pública internacional.
O Exército brasileiro e a Força Nacional reforçaram o contingente no terreno, mas o solo, completamente saturado pela chuva desta noite, torna as operações de resgate perigosas até para os próprios bombeiros. Há ainda pelo menos 18 pessoas desaparecidas. O governo de Minas Gerais mantém o estado de calamidade pública, enquanto o Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um novo alerta vermelho, prevendo que a instabilidade atmosférica se mantenha até ao final da semana.
Com mais de 3.600 pessoas desalojadas, a prioridade absoluta das autoridades é agora retirar as populações que ainda resistem em zonas de perigo geológico, temendo que a reiteração das chuvas provoque uma nova vaga de desmoronamentos.



Fotos: Pablo Porciuncula/AFP – Prefeitura de Juiz de Fora – ND Mais