Ricardo Machado – hoje, Ricardo Leitão Machado, por adoção do nome da mulher, Vera Leitão Amaro, irmã do atual ministro da Presidência – é suspeito de ter burlado o Estado angolano em 222 milhões, como o 24Horas já noticiou. As autoridades judiciais de Luanda acabam de pedir à Procuradoria-Geral da República que o constitua arguido.
Ricardo domina em Portugal nada menos do que 17 empresas. Mas não se fica pelos negócios portugueses. Tomou-se de amizade com Hugo Pêgo, marido de Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos. Melhores credenciais não podia ele exibir para se lançar, em grande, no mundo dos negócios em Angola.
A sua empresa – AEnergia SA, que, entretanto, desapareceu do ninho empresarial que controla em Portugal – assinou entre 2013 e 2017, com o poder que reinava em Luanda, contratos no valor de dois mil milhões de dólares para reparação de oficinas ferroviárias, fornecimento de 100 locomotivas e instalação de novas centrais de produção de energia.
O negócio talvez tenha corrido bem a Ricardo Leitão Machado, mas correu muito mal ao Estado angolano. O atual presidente, João Lourenço, denunciou os contratos com a AEnergia e mandou abrir uma investigação a cargo da Inspeção-Geral da Administração do Estado. O relatório final concluiu que Angola foi lesada em 222 milhões de dólares (cerca de 200 milhões de euros) pela empresa de Ricardo Leitão Machado. O empresário está agora a contas com a Justiça angolana. As autoridades angolanas, segundo a Sábado, pedem em duas cartas rogatórias enviadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) que Ricardo Leitão Machado seja constituído arguido – e solicitam a cooperação judicial portuguesa na investigação das burlas ao Estado angolano.