O nome de Frei Gilson voltou a dominar o debate público brasileiro nos últimos dias, depois de uma nova vaga de críticas vindas de figuras mediáticas e políticas. O religioso, que ganhou notoriedade nas redes sociais com transmissões de oração em horários pouco convencionais, enfrenta agora um ciclo de polémicas que ultrapassa o campo religioso e entra diretamente na arena política e social.
Uma das reações mais contundentes partiu da jornalista Rachel Sheherazade, que criticou duramente o frei, acusando-o de promover discursos considerados problemáticos e de alimentar divisões. A intervenção reacendeu o debate sobre o papel de líderes religiosos na formação de opinião pública, sobretudo quando as suas mensagens ganham grande alcance digital.
No campo político, o embate mais ruidoso envolveu a senadora Soraya Thronicke. A parlamentar entrou em confronto direto com o religioso após declarações que considerou inaceitáveis. O episódio gerou forte repercussão nas redes sociais, com apoiantes de ambos os lados a amplificarem o conflito, transformando-o num dos temas mais comentados da semana no Brasil.
Também dentro da Igreja surgiram vozes críticas. O padre Júlio Lancellotti questionou publicamente a coerência entre a prática espiritual e a ação social. Sem mencionar diretamente episódios concretos, Lancellotti destacou que a fé não pode estar dissociada do compromisso com os mais vulneráveis, numa aparente crítica ao estilo de atuação de Frei Gilson. A referência à oração do rosário em horários como as quatro da manhã foi interpretada como um contraponto simbólico à necessidade de presença ativa junto de populações em situação de rua.
O caso evidencia uma crescente tensão entre diferentes visões dentro do próprio campo religioso: de um lado, uma abordagem mais mediática e digital da fé; do outro, uma tradição mais ligada à ação social direta. A polémica também levanta questões sobre os limites entre religião e política num país onde ambos os universos frequentemente se cruzam.
Na última sexta-feira, o correspondente do 24Horas no Brasil, Diego Leite, abordou o tema no comentário “Brasil em um Minuto”, onde traçou um paralelo entre Frei Gilson e Silas Malafaia, sublinhando semelhanças na forma como ambos utilizam plataformas digitais para influenciar o debate público – uma comparação que promete alimentar ainda mais a controvérsia em torno do religioso.