A Galp divulgou esta segunda-feira, dia 13, os dados operacionais relativos ao primeiro trimestre de 2026, revelando um crescimento acentuado em todos os indicadores de produção e rentabilidade. A petrolífera atingiu uma produção média de 129 mil barris por dia, o que representa um aumento homólogo de 23%. No entanto, o dado com maior impacto direto no mercado nacional é a margem de refinação, que subiu de 5,6 para 14,8 dólares por barril.
A margem de refinação reflete a diferença entre o custo do petróleo bruto (matéria-prima) e o valor de venda dos produtos refinados (gasolina e gasóleo) à saída da refinaria. Na prática, este indicador revela que o custo de transformação do combustível se tornou significativamente mais rentável para a empresa.
Este aumento de quase 300% na margem explica, em parte, por que razão os preços nos postos de abastecimento em Portugal se mantêm elevados, mesmo quando o preço do barril de petróleo (Brent) apresenta estabilidade nos mercados internacionais. Quando a margem de refinação sobe desta forma, o custo de produção do combustível acabado encarece, independentemente do valor da matéria-prima.
No segmento de upstream (exploração), o petróleo continua a ser o motor principal, representando 87% da produção total. Já no segmento industrial, o volume de matérias-primas processadas registou uma recuperação acentuada face ao último trimestre de 2025, com um crescimento de 89% (18,7 milhões de barris).
Estes resultados surgem num contexto de forte pressão sobre o setor energético. Enquanto países como a Alemanha adotam medidas de choque para baixar os preços — como a redução de 17 cêntimos na gasolina mencionada em relatórios recentes —, os dados da Galp confirmam que a operação de refinação em Portugal está a atravessar um período de rentabilidade excecional.