Marcelo Rebelo de Sousa, de 77 anos, apelou à escuta ativa e à renúncia como ferramentas essenciais para aproximar as pessoas, promover o diálogo e reforçar o espírito de comunidade. As declarações foram feitas na quarta-feira, dia 15, à margem da sua participação na oitava Semana Teológica, organizada pela Escola Universitária Católica de Cabo Verde (EU Católica), no Mindelo.
Enquanto orador da conferência intitulada ‘O imperativo da escuta em tempo pós-Pascal com a inspiração de Leão XIV’, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a mensagem deixada pelo Papa há cerca de dois meses, sublinhando a importância de ouvir em diferentes dimensões da vida pessoal e coletiva.
“A escuta da comunidade, a escuta de si próprio, aquilo que é fundamental para poder agir”, afirmou.
O antigo chefe de Estado acrescentou ainda a relevância da renúncia, defendendo que esta dimensão, tanto material como espiritual, é determinante para a convivência social: “É a escuta e a renúncia material e espiritual que permite aproximar as pessoas, que permite que elas dialoguem, que elas se aceitem na sua diferença e estejam disponíveis para trabalhar em conjunto, umas com as outras, num espírito de comunidade.”
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esta postura deve ser promovida em diferentes contextos, desde a Igreja à educação, passando pela vida profissional e pela sociedade em geral. O político alertou ainda para aquilo que considera ser uma menor disponibilidade atual para ouvir e para ceder ao ego individual, o que dificulta a construção de consensos.
Questionado sobre se uma mudança de atitude poderia contribuir para a redução de conflitos a nível mundial, considerou que sim, sublinhando a importância do diálogo. “Não ouvindo, nem falando, não é fácil encontrar pontos. Não encontrando pontos, é difícil atuar juntos”, afirmou.