A sondagem da Genial/Quaest divulgada hoje sobre as eleições presidenciais brasileiras aponta para uma disputa altamente competitiva, em que Lula parte na frente, mas fragilizado por níveis elevados de desaprovação, enquanto Flávio Bolsonaro surge como principal alternativa, sustentado por uma base consolidada. Com um eleitorado dividido e uma percentagem relevante de indecisos, a corrida permanece em aberto e deverá ser decidida nos detalhes, ao ritmo da campanha e da evolução do contexto nacional.
No principal cenário de primeiro turno, Lula surge na liderança com cerca de 30% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que reúne aproximadamente 25%. Apesar da vantagem do atual Presidente, a diferença encontra-se dentro da margem de erro, o que confirma uma corrida equilibrada e sem um favorito claro. Mais relevante ainda é o peso dos indecisos e dos eleitores que não indicam uma escolha espontânea, que permanece elevado. Uma parte substancial do eleitorado admite, aliás, que o seu voto ainda pode mudar até às eleições, reforçando o grau de imprevisibilidade do processo.
Este contexto de incerteza é agravado pelo desgaste do Governo. Segundo a sondagem, 52% dos inquiridos desaprovam a atuação de Lula, enquanto 43% a aprovam. Em termos de avaliação global, 42% classificam o Executivo como negativo, contra 31% que o consideram positivo e 26% que o avaliam como regular, refletindo uma perceção pública menos favorável ao atual mandato.
A fragmentação do eleitorado é também evidente na análise por segmentos. Lula mantém uma base sólida de apoio no Nordeste e entre beneficiários de programas sociais, mas enfrenta maior resistência nas regiões Sul e Centro-Oeste, bem como entre eleitores de maior rendimento e no eleitorado evangélico. Esta clivagem territorial e social continua a estruturar o comportamento político no país.
Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro afirma-se como principal herdeiro do capital político do bolsonarismo, captando o eleitorado conservador e mantendo-se competitivo em todos os cenários testados. Ainda assim, tal como Lula, enfrenta níveis relevantes de rejeição, o que limita a sua capacidade de alargar a base eleitoral para além do núcleo duro de apoiantes.
Outro dado central da sondagem prende-se com a volatilidade do voto. A existência de uma fatia expressiva de indecisos – associada ao facto de muitos eleitores declararem que podem alterar a sua escolha – indica que o resultado final dependerá, em larga medida, da evolução do contexto político e económico nos próximos meses, nomeadamente no que respeita à inflação, ao emprego e ao poder de compra.
Do ponto de vista técnico, o estudo foi realizado entre 9 e 13 de abril de 2026, com base em 2.004 entrevistas presenciais a brasileiros com 16 ou mais anos . A margem de erro é de aproximadamente dois pontos percentuais e o nível de confiança atinge os 95%, parâmetros que garantem consistência e representatividade estatística.