O relatório de uma inspeção realizada ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) conclui que a mais sensível unidade do Ministério Público, responsável pelo combate à criminalidade mais grave, do banditismo à corrupção, é um modelo de “desorganização”.
A falta de meios no DCIAP é crónica. Faltam procuradores, funcionários judiciais, peritos. Falta tudo. Em contrapartida, segundo os inspetores, abundam o “descontrolo”, as “prescrições” dos processos, os atrasos na apreciação das provas, escutas telefónicas a suspeitos fora dos prazos.
Manuel Luís Ferreira, advogado com larga tarimba na barra dos tribunais criminais, sabe como poucos que as crónicas falhas do DCIAP, mais que uma “má Justiça” é, muitas vezes, a própria “denegação da Justiça”.