Um enfermeiro, sem experiência na área, foi contratado para ser coordenador na Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030), uma entidade que, de acordo com a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, está para ser extinta, por ter cumprido os objetivos para a qual fora criada.
Fábio Alves Teixeira, licenciado em Enfermagem em 2018, trabalhou no gabinete da atual ministra da Cultura, Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, entre outubro de 2024 e 2 de novembro de 2025.
Num despacho assinado no dia 2 de fevereiro pelo presidente da entidade, Manuel Nina – que até ao mês passado integrava o gabinete do secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, – e publicado esta segunda-feira, dia 9, em Diário da República, afirma que Fábio Alves Teixeira “possui currículo académico e profissional que evidencia o perfil adequado” para o cargo.
No entanto, a nota curricular que acompanha o despacho de nomeação não apresenta qualquer formação académica nem experiência profissional na área das energias renováveis.
O novo coordenador da EMER 2030 é licenciado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto e tem feito, principalmente, um percurso profissional como assessor governamental. Conta ainda com uma pós-graduação de um ano em Gestão de Projetos pela Porto Business School e com experiência como gestor de projetos ligados ao desenvolvimento e implementação de software, consultoria, inovação social e recrutamento internacional na área da saúde.
Na entidade que está sob a tutela da ministra do Ambiente e da Energia, o enfermeiro, de 29 anos e com ligações à Juventude Social-Democrata (JSD), irá receber cerca de 3.700 euros brutos mensais.
Há quem identifique aqui a ligação umbilical da ministra Margarida Balseiro Lopes e o secretário de Estado Jean Barroca, desde os tempos da JSD, que terá facilitado a transição de Fábio Alves Teixeira do Ministério da Cultura para a área das renováveis.
Quando questionados pelo ECO sobre a escolha, o Ministério do Ambiente passou as responsabilidades para Manuel Nina: “Compete única e exclusivamente a Manuel Nina fazer a gestão interna da EMER para cumprir com sucesso a missão que lhe foi atribuída. Questões como o reforço de equipa são matéria de organização interna e da sua responsabilidade.”
Ao mesmo jornal, o ministério defendeu-se ainda porque “apesar de grande parte do trabalho desta Estrutura estar já em fase muito avançada, o Ministério do Ambiente quis garantir os compromissos do Governo com a Comissão Europeia, nesta área e nesta reforma do PRR em concreto”.
Rui Rocha, ex-líder da Iniciativa Liberal (IL) e deputado na Assembleia da República (AR), mostrou-se indignado com a situação: “Temos a nomeação de alguém sem currículo e sem experiência profissional na área para uma estrutura que já devia ter acabado ou vai acabar.”