O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, voltou a exigir o regresso dos mármores do Partenon à Grécia, aproveitando a exposição da Tapeçaria de Bayeux no Museu Britânico para reforçar o apelo.
Num artigo de opinião publicado no jornal britânico The Guardian, Mitsotakis defendeu que as esculturas do Partenon devem ser reunidas em Atenas e rejeitou a possibilidade de aplicar ao património grego uma solução semelhante ao empréstimo da famosa tapeçaria francesa.
"O que é preciso hoje é vontade política e coragem para dar o passo decisivo, reunir as esculturas e transformar uma disputa histórica num ato único de amizade cultural", escreveu o primeiro-ministro grego.
A Tapeçaria de Bayeux, com cerca de 70 metros, está atualmente exposta no Museu Britânico através de um empréstimo de França. Para Mitsotakis, porém, as duas situações são diferentes: a tapeçaria foi cedida como uma peça inteira e regressará a França, enquanto os mármores do Partenon foram separados e encontram-se atualmente divididos entre Atenas e Londres.
O líder grego defende que as esculturas devem voltar a ser vistas em conjunto e junto do monumento para o qual foram originalmente criadas. Segundo Mitsotakis, a questão não é apenas saber quem possui as peças, mas recuperar a unidade física, estética e histórica do Partenon.
A disputa entre Atenas e Londres prolonga-se há décadas. Parte significativa das esculturas encontra-se no Museu Britânico, enquanto outras permanecem na Grécia. O Governo grego tem defendido a sua reunificação na capital grega, enquanto o Museu Britânico mantém a abertura a um eventual acordo, sem alterar a sua posição sobre a propriedade das peças.
Mitsotakis recordou ainda que Andy Burnham, antes de chegar ao cargo de primeiro-ministro britânico, tinha defendido em 2023 o regresso das esculturas à Grécia "sem condições". Mais recentemente, já como chefe do Governo britânico, Burnham afirmou que a decisão cabe ao Museu Britânico.
As negociações entre a Grécia e o Museu Britânico decorrem há vários anos e voltaram a enfrentar dificuldades. O museu, contudo, afirmou que a sua posição e abertura para alcançar um acordo permanecem inalteradas.
Para Mitsotakis, uma eventual reunificação poderia também abrir caminho a uma nova relação cultural entre os dois países, com intercâmbios entre museus, exposições e projetos de investigação e conservação.
O primeiro-ministro grego considera que a devolução das esculturas seria ainda um símbolo particularmente forte devido à ligação do Partenon à história da democracia, defendendo que o momento pode transformar uma disputa histórica num novo capítulo de cooperação cultural entre a Grécia e o Reino Unido.

















