A manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), realizada este domingo, dia 18, na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu cerca de 71,9 mil pessoas, no momento de maior concentração, segundo uma estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da organização More in Common. O número contrasta com o milhão de participantes anunciado pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o ato realizado no mesmo local, uma semana antes (11).
De acordo com a análise relativa à manifestação de Flávio Bolsonaro, o público terá atingido o pico por volta das 12:20. A estimativa apresenta uma margem de erro de 12%, situando o número de participantes entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas. A contagem foi realizada através da análise de imagens aéreas captadas por drone, com recurso a inteligência artificial.
O encontro, promovido por apoiantes do candidato do PL, reuniu figuras de destaque da direita brasileira e ocorreu a uma semana da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para domingo, dia 25. Entre os presentes estiveram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado federal Nikolas Ferreira, um dos responsáveis pela convocação da mobilização.
A manifestação ficou também marcada por um episódio polémico: a exibição de um míssil inflável de grandes dimensões com uma mensagem dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O objeto apresentava a frase em inglês "Trump nuke Brazil", que significa, numa tradução livre, "Trump, ataque o Brasil com armas nucleares".
A mensagem evocava um ataque nuclear ao território brasileiro e gerou controvérsia nas redes sociais. A exibição do objeto foi um dos elementos mais marcantes da mobilização, num contexto de forte polarização política no país.
O ato ficou ainda marcado por um ambiente de campanha, com música, palavras de ordem, bandeiras brasileiras e críticas ao Governo de Lula e a instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o discurso, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil está "sem presidente".
A diferença de dimensão entre os dois atos na Avenida Paulista tornou-se um dos elementos de destaque da reta final da campanha. No domingo anterior, dia 11, Lula participou na chamada Marcha pela Democracia, que ocupou vários quarteirões da avenida e contou com a presença de estudantes, movimentos sociais, artistas, representantes de partidos e apoiantes do Presidente brasileiro.
Na ocasião, a campanha de Lula anunciou que a manifestação tinha reunido mais de um milhão de pessoas. O número divulgado pelos organizadores contrasta com os cerca de 71,9 mil participantes estimados no ato de Flávio Bolsonaro, uma diferença de quase 14 vezes entre os valores anunciados para as duas mobilizações.
A comparação exige, contudo, uma ressalva metodológica: os números não resultam de contagens realizadas segundo o mesmo procedimento. No caso de Flávio Bolsonaro, foi utilizada uma estimativa baseada na análise de imagens aéreas. Já o milhão de participantes atribuído à manifestação de Lula corresponde ao número divulgado pela organização do evento.
A dimensão das duas mobilizações tornou-se um dos pontos de atenção na disputa eleitoral, numa fase em que os candidatos procuram reforçar o apoio público antes da votação. A presença de milhares de pessoas nas ruas constitui um indicador da capacidade de mobilização das campanhas, mas não permite, por si só, determinar as intenções de voto nem antecipar o resultado das eleições.
Com a segunda volta marcada para domingo, dia 25, os atos públicos, os debates televisivos e as últimas iniciativas de campanha assumem um papel central na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. A Avenida Paulista voltou, assim, a ser palco de manifestações de campos políticos opostos em fins de semana consecutivos, com uma diferença expressiva entre os números de participação divulgados.

















