Um vídeo de veterinários australianos a retirar uma toalha de praia inteira do estômago de uma pitão voltou a circular nas redes sociais, seis anos depois de ter sido gravado originalmente. O caso, batizado na altura de “o mistério da toalha desaparecida”, aconteceu a 19 de fevereiro de 2020 no Small Animal Specialist Hospital (SASH), em Sydney, Austrália.

A protagonista é Monty, uma pitão-tapete (Jungle Carpet Python) fêmea, então com 18 anos, cerca de três metros de comprimento e cinco quilos. Segundo o SASH, os donos aperceberam-se de que o animal tinha engolido uma toalha de praia inteira e levaram-na ao hospital. A equipa veterinária anestesiou a cobra, confirmou por radiografia a localização da toalha e usou um endoscópio flexível com pinças longas para a retirar através da boca do animal, sob orientação de câmara. O procedimento foi filmado do interior do trato digestivo da pitão. Monty teve alta no mesmo dia e, segundo os donos, recuperou o apetite normalmente.

O reaparecimento do vídeo em 2026 ilustra um fenómeno comum nas redes sociais: conteúdo antigo a ser tratado pelos algoritmos como se fosse atual. Plataformas como o TikTok e o Instagram avaliam vídeos sobretudo pelo comportamento dos utilizadores em tempo real ( tempo de visualização, partilhas, comentários ) e não pela data de publicação. Quando um clipe antigo é repartilhado ou comentado com intensidade, o sistema volta a distribuí-lo a novos públicos como se fosse recente, sem qualquer indicação de que já tem anos.

Casos insólitos mas inofensivos, como o de animais em situações bizarras, tendem a ser especialmente suscetíveis a este ciclo: ao contrário de notícias factuais que perdem relevância com o tempo, mantêm o mesmo impacto visual independentemente de quando são vistos. A ausência de data visível no próprio vídeo contribui para o equívoco, já que cada nova vaga de utilizadores o descobre sem contexto temporal.

Crédito: @urcutejeansbabyy | TikTok