A polémica em torno da arbitragem portuguesa continua a ganhar novos contornos. Depois de a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter remetido o caso ao Ministério Público, Duarte Gomes, de 53 anos, veio a público, esta quarta-feira, dia 1, explicar os motivos que estiveram na origem da sua saída do cargo de diretor técnico nacional da arbitragem, garantindo que a sua permanência seria "incompatível" com os valores que sempre defendeu.

Numa nota divulgada nas redes sociais, o antigo árbitro revelou que, no final da última época, recebeu de um árbitro profissional um conjunto de informações que lhe suscitaram "preocupações institucionais muito relevantes". Perante a gravidade do conteúdo, Duarte Gomes assegura ter realizado várias diligências internas, conduzidas "com reserva, neutralidade e transparência", com o objetivo de apurar se estavam reunidas as condições necessárias para continuar a desempenhar as suas funções.

Após essas averiguações, o ex-dirigente concluiu que já não existia o nível de confiança institucional que considerava indispensável. "A minha continuidade em funções seria incompatível com os princípios e valores que sempre pautaram a minha vida", escreveu, explicando que a decisão de renunciar ao cargo foi comunicada de forma reservada ao presidente do Conselho de Arbitragem e aos restantes membros do organismo.

Duarte Gomes fez ainda questão de sublinhar que nunca colocou em causa a honra ou o bom nome de qualquer pessoa ou instituição ligada à FPF, garantindo que nunca divulgou nomes ou factos concretos relacionados com o caso. O antigo árbitro mostrou-se, contudo, totalmente disponível para colaborar com as autoridades competentes, numa altura em que a Federação já encaminhou o processo para o Ministério Público e o Conselho de Justiça se prepara para analisar a situação.