O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, de 61 anos, considera que o Estado tem sido “um óbice muito grande ao crescimento da economia”, e fala numa “previsão miserável” a partir de 2027, por se fazer “pouco” na reforma do Estado. As declarações foram feitas no lançamento do ensaio ‘Economia, Inovação e Inteligência Artificial’, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Lisboa.
“O Estado hoje ainda é um óbice muito grande ao crescimento da economia. E cada vez, me parece, a sua qualidade tem vindo a cair de forma mais gravosa”, referiu. Pedro Passos Coelho salienta que a questão não é partidária, uma vez que já houve vários partidos no Governo. Ainda assim, fez um alerta: “Fala-se muito da reforma do Estado, mas faz-se pouco por isso.”
O ex-líder do PSD considera que Portugal tem de se distinguir pela “qualidade das instituições e a capacidade de investir adequadamente no capital humano” e é justamente neste ponto que Portugal revela “um atraso grande em relação aos nossos parceiros”.
Quando questionado como é que o Estado pode apoiar as empresas e a economia, de forma a aproveitar ao máximo as potencialidades da inteligência artificial, Passos Coelho criticou, por exemplo, a forma como Portugal tem acedido ao financiamento europeu: “Usamos mal o financiamento europeu destinado à investigação e ao desenvolvimento. Aplicamos mal (…) Há uma espécie de empresas que se especializaram na captação desses fundos e que impedem que outras possam aceder a eles.”

















