O número de mulheres entre os 35 e os 49 anos afetadas por infertilidade poderá crescer quase 50% na próxima década, chegando aos 79,6 milhões em 2036, segundo um novo estudo internacional.
A investigação foi liderada pela Universidade de Hong Kong, em colaboração com investigadores da China continental, Singapura e Reino Unido. Os especialistas analisaram dados de saúde de 204 países e territórios, referentes ao período entre 1990 e 2023, e recorreram a modelos de previsão para identificar as tendências futuras.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, considera-se infertilidade a incapacidade de conseguir uma gravidez clínica após 12 meses de relações sexuais regulares sem contraceção. Atualmente, a condição afeta entre 8% e 12% dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo.
O estudo concluiu ainda que o problema tem vindo a ganhar maior expressão nas economias desenvolvidas. Os investigadores relacionam esta evolução, em parte, com o adiamento da maternidade, associado a mudanças sociais e económicas.
Apesar da tendência global, a Europa Ocidental apresenta valores inferiores à média mundial. Em 2023, a região, que inclui Portugal, registou 2 mil e 807 casos por 100 mil mulheres, enquanto a média internacional foi de cerca 6 mil.
O estudo salienta também o impacto psicológico e financeiro da infertilidade, bem como o estigma social associado à condição, que pode afetar as relações e o bem-estar das famílias.
Com o envelhecimento da população a acelerar em várias regiões, os autores consideram que a infertilidade deve ser encarada como um problema de saúde pública com consequências económicas relevantes.

















