Na noite fria de 4 de março de 2001, o Norte do país foi fustigado por uma tempestade. A ponte que ligava a freguesia de Entre-os-Rios (no concelho de Penafiel) a Castelo de Paiva ruiu – e atirou às águas agitadas do Douro três automóveis com seis ocupantes e um autocarro com 53 passageiros. Ninguém sobreviveu.

Vinte e cinco anos após a tragédia, que pelas piores razões colocou no mapa um concelho encravado nos limites dos distritos do Porto, Aveiro e Viseu, o então presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Paulo Teixeira, recorda esses tempos de lágrimas, dor e luto.

Paulo Teixeira morava perto da ponte. Foi dos primeiros a chegar ao local. Mas só ao nascer do sol, na manhã de 5 de março, é que se apercebeu da dimensão do desastre. Dias depois, nas margens do rio, chorou no ombro do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

O ex-autarca, a partir da lição que a tragédia da ponte lhe deu, critica a timidez da resposta do Governo à devastação causada pelos recentes temporais e o desfile de governantes às zonas afetadas, muitos deles sem saberem o que se passa realmente: “Falta uma voz de comando única e falta comunicação esclarecida. Sem isso as pessoas sentem-se perdidas”.