João Gabriel, de 60 anos, voltou a pôr o Benfica sob pressão pública, com críticas duras à direção e, em particular, à liderança de Rui Costa (54), num momento em que a crise desportiva e institucional do clube da Luz se agravou com a perda do 2.º lugar para o Sporting e o aumento da contestação interna.
O antigo diretor de comunicação encarnada acusa a estrutura de viver presa a um modelo de reação sem consequência, descrevendo a atuação da direção como um ciclo de "indignação performativa para consumo externo". João Gabriel escreve que o clube se limita ao "agarrem-me, senão eu vou", para depois "ficar tudo na mesma, ou até recuar".
"Seria intelectualmente desonesto reduzir o eventual falhanço do Benfica à arbitragem deste jogo. O Benfica não hipotecou hoje a Champions, nem o título. Hipotecou-os no dia em que deixou de perceber que, em Portugal, os campeonatos também se ganham no plano institucional."
A quebra de influência dos encarnados nos meandros do poder do futebol português também serve de mote para criticar a estratégia, ou a falta dela, do Benfica. "Os árbitros perderam o respeito pelas regras, mas, acima de tudo, perderam o respeito pelo Benfica." E porquê? Porque, defende, perderam "força, influência, capacidade de pressão e liderança."
A publicação de João Gabriel, um dos antigos homens de confiança de Luís Filipe Vieira, terminou com uma mensagem muito direta ao atual presidente encarnado: "Hoje, ninguém leva Rui Costa verdadeiramente a sério nos corredores do poder do futebol português (…) Porque um presidente pode perder jogos. O que não pode perder é influência, respeito e capacidade de proteger o clube. E Rui Costa perdeu os três."

















