Isaltino Morais considera que a crise da habitação é atualmente o problema social mais grave do País e defende que os municípios devem assumir um papel central na procura de soluções. O presidente da Câmara de Oeiras deixou mesmo um aviso sobre as consequências que a falta de casas a preços comportáveis poderá provocar no futuro.

“Não surpreende se, daqui a 20 anos, houver uma revolução por causa da habitação”, afirmou o histórico autarca, num evento do Eco, sublinhando: “A habitação é o problema mais dramático que Portugal tem.”

Isaltino Morais destacou a responsabilidade das autarquias no planeamento dos respetivos territórios e voltou a defender um modelo urbano que permita aumentar a oferta: “Defendemos uma cidade compacta que permite mais mobilidade, mais disponibilidade de terreno e pode resolver o problema da habitação.”

O presidente da Câmara de Oeiras recordou ainda a experiência que teve no combate às barracas nas áreas metropolitanas. Segundo Isaltino, chegou a apresentar ao então primeiro-ministro Cavaco Silva, “num prazo de três dias”, um programa destinado a acabar com as barracas em Lisboa e no Porto.

A posição não é nova. Isaltino tem defendido a construção de mais habitação pública pelas câmaras, incluindo casas para arrendamento e imóveis a custos controlados destinados às famílias com rendimentos médios e baixos.

O alerta surge num momento em que a dificuldade de acesso à habitação continua no centro do debate político. O próprio Governo AD reconhece que as carências já atingem não apenas as famílias mais vulneráveis, mas também agregados de rendimentos intermédios e jovens adultos.