O Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu esta quinta-feira, no Palácio das Convenções de Luanda, uma governação mais justa e sustentável dos recursos hídricos africanos, considerando que o acesso à água deve constituir um instrumento de prevenção de conflitos, estabilidade e desenvolvimento económico.

Na abertura da 4.ª Bienal de Luanda, dedicada à Cultura de Paz e Não-Violência, o chefe de Estado apelou ao reforço da cooperação entre os países africanos, sublinhando a necessidade de conjugar vontade política e capacidade técnica para responder à crescente escassez de água.

João Lourenço alertou para o paradoxo de África possuir algumas das maiores reservas hídricas do planeta, enquanto milhões de cidadãos continuam privados de água potável. Uma situação que agrava disputas por recursos naturais, provoca deslocações populacionais e alimenta tensões entre comunidades.

O Presidente destacou também os investimentos realizados em Angola, nomeadamente o sistema de transferência de água do Cafu, em funcionamento desde 2022, e as barragens do Ndue e Calucuve, destinadas a combater os efeitos da seca no Sul do país.

Anunciou ainda que o sistema de abastecimento de Quilonga Grande deverá ser inaugurado em Dezembro, beneficiando cinco milhões de habitantes de Luanda e Icolo e Bengo.

A Bienal, que reúne representantes políticos, especialistas e organizações internacionais, procura consolidar uma estratégia africana de gestão partilhada da água, transformando um potencial foco de conflitos num fator de cooperação e paz duradoura.

Créditos: @governodeangolaoficial