A jornalista Pilar Eyre, de 75 anos, acredita que a sua abordagem crítica à monarquia espanhola teve consequências na sua carreira e aponta episódios em que entrevistas agendadas foram canceladas ou acabaram por não ser divulgadas. Numa conversa com o jornal El País, publicada este domingo, dia 25, falou sobre situações que considera suspeitas e que, na sua perspetiva, poderão estar relacionadas com a influência da Casa Real nos meios de comunicação.
Um dos episódios que recorda remonta ao lançamento de 'La soledad de la reina', obra centrada na rainha Sofia (87). Apesar do interesse inicial suscitado pelo livro e dos vários convites para entrevistas, a jornalista diz que começou a assistir ao cancelamento sucessivo desses compromissos. Um dos casos terá ocorrido quando já se encontrava à entrada de uma estação, pronta para participar numa entrevista.
"Todos os meios queriam entrevistar-me. Depois, as entrevistas foram caindo uma a uma. Tinha uma entrevista marcada e, à porta da estação, disseram-me: 'Não pode entrar'", relatou. Segundo Pilar Eyre, alguns colegas levantaram a hipótese de os cancelamentos terem sido motivados por pressão da Casa Real. A jornalista não apresenta provas diretas de uma intervenção do palácio, mas afirma que não acredita que tudo tenha acontecido por acaso.
Mais recentemente, garante ter vivido uma situação semelhante com outro órgão de comunicação social de grande dimensão. Depois de participar numa entrevista longa, foi informada, no dia seguinte, de que o conteúdo não chegaria a ser publicado: "Não tinha dito nenhuma barbaridade, mas ligaram-me no dia seguinte e disseram-me que não podia ser publicada."
A cronista considera que existem diferenças na liberdade com que se pode falar sobre os vários membros da família real espanhola. Na sua leitura, algumas figuras são alvo de escrutínio público mais facilmente do que outras, uma distinção que sintetizou numa frase: "Podes dizer o que quiseres sobre Juan Carlos e Sofia, mas nos outros não toques."

















