Roberto Martínez, de 52 anos, voltou a reforçar a importância de Cristiano Ronaldo (41) na Seleção Nacional e a enquadrar o peso do capitão num coletivo que, na visão do selecionador, não pode ser reduzido a uma única figura.

Ao falar do avançado do Al Nassr, o técnico espanhol foi taxativo: "É um exemplo, Não há outro jogador a nível internacional" com a longevidade, a exigência e a produtividade que Ronaldo continua a apresentar ao serviço de Portugal. Segundo Martínez, o camisola 7 chega ao Mundial focado em ajudar a equipa e sustentado por números que, na sua leitura, afastam qualquer discussão sobre a legitimidade da convocatória: "Marcou 25 golos nos últimos 30 jogos da Seleção."

Mais do que um elogio ao passado, o selecionador procurou valorizar o papel atual de Cristiano Ronaldo dentro do modelo de jogo português. Martínez descreveu-o como "o jogador de último movimento, de finalização e de condicionar os centrais", sublinhando a utilidade tática do avançado e a forma como a sua experiência pode servir de referência para os mais novos ou estreantes em grandes torneios. Na mesma entrevista, o técnico destacou ainda a dimensão simbólica de CR7, classificando-o como "uma figura mundial e uma inspiração para muitos miúdos que jogam futebol".

Ainda assim, Roberto Martínez fez questão de travar a leitura de uma Seleção excessivamente dependente do camisola 7. Quando confrontado com a ideia de que Portugal seria "Ronaldo e mais dez", respondeu que "o nosso grupo não é só o Cristiano" e lembrou que a equipa tem "vários capitães de grandes equipas do mundo".

A mensagem foi clara: Ronaldo é importante, mas não pode ser visto como um jogador isolado capaz de resolver tudo sozinho. "Não é um jogador que vai ganhar um jogo", recordou, recusando também a tese de que o avançado esteja no grupo apenas por aquilo que já fez. "Não é certo dizer isso."

A entrevista ficou ainda marcada por uma reflexão serena sobre o fim inevitável da carreira internacional de Cristiano Ronaldo. Sem dramatizar, Martínez admitiu que esse dia chegará, mas defendeu que o foco, nesta fase, deve estar em aproveitar o que a atual geração ainda pode dar. "Um dia, vai acontecer ele deixar de jogar", reconheceu, antes de acrescentar que será então tempo de olhar para as memórias deixadas.

Até lá, o selecionador prefere outra perspetiva: "Precisamos de desfrutar muito dos jogadores que estão agora nesta Seleção", incluindo Ronaldo, mas também nomes como Bruno Fernandes e Bernardo Silva.