Os trabalhadores do Metro de Lisboa vão voltar a fazer greve nos dias 28 e 30 de outubro, entre as 05:00 e as 10:00. A empresa alerta para os possíveis constrangimentos na mobilidade dos passageiros e garante que vai pedir a fixação de serviços mínimos para tentar reduzir os impactos das paralisações.

Os novos pré-avisos de greve foram apresentados pelas organizações sindicais e têm na origem as mesmas reivindicações que motivaram a paralisação de 14 de outubro, que afetou o funcionamento da rede e dificultou a deslocação de milhares de pessoas na Área Metropolitana de Lisboa.

Na sequência da última greve, não foi possível chegar a acordo sobre os serviços mínimos junto da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). O Tribunal Arbitral decidiu, por isso, não fixar serviços mínimos, uma decisão da qual o Metro de Lisboa garante que vai recorrer.

A empresa pretende agora que sejam assegurados serviços mínimos nas duas novas datas, de forma a garantir, tanto quanto possível, a continuidade de um serviço considerado essencial para a mobilidade da capital.

Em comunicado, o Conselho de Administração reafirma o respeito pelo direito à greve, mas considera desproporcionais as paralisações, tendo em conta o impacto que provocam na vida dos passageiros e a disponibilidade da empresa para continuar a negociar com os sindicatos.

As reivindicações em discussão dizem respeito a cerca de 100 trabalhadores e têm sido abordadas em reuniões entre a administração e as estruturas sindicais. Segundo o Metro de Lisboa, têm sido apresentadas propostas para aproximar posições e encontrar soluções, com objetivos e prazos definidos.

Entre as medidas em curso está um plano de recrutamento e formação, cuja conclusão está prevista para a segunda quinzena de dezembro de 2026. A empresa adianta ainda que apresentou propostas de alteração dos horários, atualmente em fase de aprovação, e de melhoria da gestão das escalas de trabalho, para responder a questões discutidas desde 2019.

A administração refere também que, na sequência do acordo alcançado a 13 de abril, estão a ser promovidas melhorias nas condições de trabalho, com especial atenção à conciliação da vida profissional, familiar e pessoal, sem comprometer a segurança dos passageiros e a sustentabilidade do serviço.

Sobre as alegações de assédio laboral envolvendo chefias do Posto de Comando Central e da Tração, o Metro de Lisboa afirma que, até ao momento, não foram apresentados elementos concretos que permitam confirmar as situações denunciadas. Ainda assim, garante que vai recorrer aos mecanismos de averiguação e inspeção disponíveis para esclarecer os casos, salvaguardando os direitos de todas as partes.

A empresa assegura que continua disponível para dialogar com os sindicatos e apela à ponderação quanto à realização das greves anunciadas. Entretanto, promete informar os passageiros sobre eventuais alterações ao serviço.