Eva Marie Saint, uma das grandes figuras da era dourada de Hollywood, morreu esta terça-feira, dia 6, aos 102 anos. A atriz norte-americana morreu de causas naturais na sua residência, em Los Angeles, segundo avançou o Los Angeles Times.

Nascida a 4 de julho de 1924, em Nova Jérsia, Eva Marie Saint cresceu em Nova Iorque e estudou representação na Universidade Estatal de Bowling Green, no Ohio. Deu os primeiros passos profissionais na rádio e na televisão, em 1946, antes de chegar ao cinema.

A estreia no grande ecrã aconteceu em 1954, com ‘Há Lodo no Cais’, de Elia Kazan, ao lado de Marlon Brando. O desempenho valeu-lhe imediatamente o Óscar de Melhor Atriz Secundária.

Saint recebeu a estatueta das mãos de Frank Sinatra apenas dois dias antes do nascimento do primeiro dos dois filhos. Durante o discurso de agradecimento, brincou com a possibilidade de entrar em trabalho de parto naquele momento: “É possível que acabe por ter o bebé aqui mesmo!”

Foi, contudo, a colaboração com Alfred Hitchcock que a transformou numa das figuras mais marcantes do cinema clássico. Em ‘Intriga Internacional’, de 1959, interpretou Eve Kendall, uma misteriosa agente secreta que fugia ao estereótipo das protagonistas loiras habitualmente associadas aos filmes do realizador.

Ao longo da carreira, Saint contracenou ainda com alguns dos maiores nomes de Hollywood. Trabalhou com Paul Newman em ‘Exodus’ (1960) e com Gregory Peck em ‘Emboscada na Sombra’ (1969), além de participar em filmes como ‘A Árvore da Vida’ (1957) e ‘Vêm aí os Russos’ (1966).

Apesar do reconhecimento alcançado no grande ecrã, Eva Marie Saint optou por manter uma relação mais discreta com a indústria cinematográfica. Casou-se em 1951 com o produtor e realizador de televisão Jeffrey Hayden, com quem teve dois filhos e permaneceu casada até à morte do marido, em 2016.

Durante alguns períodos, afastou-se dos holofotes para se dedicar à família. A atriz admitiu também não ter interesse em viver sob a pressão constante do estrelato e recusou projetos que poderiam ter prolongado a fase mais intensa da sua carreira.

Na televisão, manteve uma presença mais regular e participou em produções como ‘Modelo e Detetive’, onde interpretou a mãe da personagem de Cybill Shepherd. Em 1990, venceu um Emmy pela participação na minissérie ‘Gente como Nós’.

Já numa fase mais tardia da carreira, surgiu em ‘Titanic’, no papel de Hazel Foley, e em ‘Super-Homem: O Regresso’, onde interpretou Martha Kent, a mãe adotiva de Clark Kent.

Um dos seus últimos trabalhos cinematográficos foi ‘Mariette in Ecstasy’, interpretando a irmã Saint-Raphael. O filme começou a ser produzido na década de 1990, mas só chegou aos cinemas em 2019.

Saint também deu voz à série de animação ‘A Lenda de Korra’, em 2012, e participou posteriormente em projetos de áudio, incluindo os podcasts ‘The Pack Podcast’ e ‘Radio Play Revival’.