Quarenta anos depois de ter atravessado Minas Gerais, Goiás e Bahia para interpretar Diadorim, na histórica adaptação televisiva de 'Grande Sertão: Veredas', Bruna Lombardi, hoje com 74 anos, recupera as memórias de uma experiência que considera transformadora. A atriz e escritora brasileira contou que começou a escrever durante as gravações como forma de enfrentar a intensidade física e emocional vivida no sertão.

Em entrevista ao programa 'Que Dia', apresentado por Matheus Leitão nos canais do Metrópoles, Bruna recordou que registava pensamentos em tudo o que encontrava. “As gravações eram o lugar mais enlouquecedor em que alguém poderia estar”, afirmou, admitindo que escrever naquelas condições foi “provavelmente o maior desafio” que enfrentou como escritora. Eram “bilhetinhos” e papéis guardados nos bolsos e até no gibão, muitos dos quais acabaram perdidos na lama durante as filmagens.

Essas anotações deram origem a 'Diário do Grande Sertão', obra que regressa agora às livrarias numa edição ampliada. “O que permaneceu dentro de mim foi o sertão. O sertão ficou para sempre”, confessou Bruna Lombardi. A nova versão termina precisamente com um poema escrito recentemente pela autora e publicado anteriormente em 'Clímax'.

A experiência também deixou outra semente. Décadas depois, Bruna concretizou a promessa de escrever sobre as mulheres fortes da sua família em 'Mulheres que Sentem os Espíritos'. A artista revisita assim uma etapa decisiva da carreira, marcada pela literatura, pela espiritualidade e por uma personagem que nunca deixou verdadeiramente para trás.