Pedro Nunes, treinador de hóquei em patins, considera que Portugal ficou aquém das expectativas no Campeonato do Mundo, depois de terminar a competição no 3.º lugar. Em declarações exclusivas ao 24Horas, o técnico apontou algumas decisões da arbitragem e a falta de controlo emocional dos jogadores como fatores determinantes para a eliminação frente à França nas meias-finais, que acabaria por conquistar o título mundial.

"É evidente que, quando não se atinge o principal objetivo de ser campeão do mundo, fica sempre um pouco aquém daquilo que eram as nossas melhores expectativas", começou por afirmar Pedro Nunes, acrescentando que Portugal "poderia e deveria ter feito muito mais".

O treinador destacou os momentos decisivos do encontro frente à França, considerando que "algumas decisões menos corretas da dupla de arbitragem", juntamente com "algum descontrolo emocional em momentos-chave do jogo de alguns jogadores da nossa equipa", acabaram por inviabilizar a presença portuguesa na final.

Apesar da desilusão, Pedro Nunes reconheceu o esforço da equipa portuguesa, que descreveu como "abnegada" e capaz de demonstrar qualidade em vários momentos da competição. Na sua análise individual, destacou os dois guarda-redes e ainda José Miranda e Miguel Rocha como os jogadores que estiveram mais próximos do nível que lhes é reconhecido.

"Há que continuar a trabalhar, há que continuar a melhorar. É importante refletir também sobre aquilo que se passou e retirar as melhores lições para, no futuro, podermos estar na discussão", defendeu.

O técnico deixou ainda uma mensagem sobre as exigências colocadas à Seleção Nacional: "Não somos sempre obrigados a ser campeões do mundo, é um facto, mas temos de estar nos momentos de decisão e, desta vez, falhámos."

"A FRANÇA É, SEM DÚVIDA, JUSTA CAMPEÃ DO MUNDO"

Questionado sobre a conquista do título mundial pela França, orientada pelo português Nuno Lopes, Pedro Nunes garantiu que o resultado não o surpreendeu.

"Não fiquei nada surpreendido. Temos estado a assistir a um crescimento gradual, sustentado, da França nestes últimos campeonatos do mundo", afirmou, lembrando que a seleção francesa "já tinha ameaçado, inclusivamente, em alguns momentos, poder alcançar este título".

O treinador português atribuiu grande parte do mérito ao trabalho de Nuno Lopes, que considera ter "muita, mas mesmo muita importância e influência neste desfecho".

"É uma seleção que, nos principais jogos, conta apenas com cinco jogadores de campo e um guarda-redes, mas que soube, ao longo da prova, ser uma verdadeira equipa, muito coesa, muito estruturada, resiliente e com grande espírito de sacrifício", explicou.

Pedro Nunes destacou ainda o trabalho tático do selecionador português, elogiando o "modelo e uma ideia de jogo muito bem vincada pelo seu selecionador", que os jogadores franceses conseguiram interpretar.

"É um lugar-comum dizer que os campeões são sempre justos, mas acho que a França é, sem dúvida alguma, justa campeã do mundo", concluiu.