Os responsáveis máximos das cidades do Porto e da Galiza exigiram que a linha ferroviária de alta velocidade, que liga as duas regiões, deve estar concluída em 2032, sublinhando que o projeto entre Lisboa e Madrid não pode comprometer a prioridade do Eixo Atlântico.

Após um encontro na Casa do Roseiral, o presidente da autarquia portuense, Pedro Duarte, lembrou que existe um compromisso governamental para cumprir esse calendário: “Nós temos um compromisso assumido pelo Governo de que essa linha poderá ser concluída, no que diz respeito ao território nacional, até 2032, é esse o calendário com que estamos a trabalhar e que continuaremos a trabalhar, não tendo nenhuma razão para não acreditar que em 2032 essa linha não possa estar concretizada”.

Já o líder da Xunta, Alfonso Rueda, manifestou satisfação com a evolução do processo, mas apontou responsabilidades a Madrid, afirmando que cabe agora ao executivo espanhol concretizar “a parte que corresponde ao Ministério de Fomento, que é executar a alta velocidade no tramo que falta até à fronteira portuguesa” a partir de Vigo, cerca de 60 quilómetros.

Para o governante galego, o ideal é que os trabalhos avancem em simultâneo, garantindo que “se chegue ao mesmo tempo e que supostos atrasos em Portugal não possam servir de argumento para não atuar em Espanha”, recordando que, do lado espanhol, o investimento necessário é inferior ao esforço português.

Confrontado com a hipótese da ligação Lisboa-Madrid ganhar protagonismo, Pedro Duarte afirmou que o cronograma definido é inequívoco, com Porto-Lisboa e Porto-Vigo previstos para 2032 e a ligação à capital espanhola dois anos depois, sublinhando que “as linhas não são concorrenciais do ponto de vista da sua execução”.

O autarca frisou ainda: “Eu gostava de deixar isto expresso de forma muito clara: para o Porto, mesmo a ligação Porto-Lisboa não é mais importante do que a ligação Porto-Vigo”, acrescentando que poderá ser “mais importante do que a ligação entre Lisboa e Madrid, porque pode abrir outro tipo de horizontes diferentes e mais relevantes”.

O presidente da câmara reforçou também que “independentemente do que acontecer noutras linhas, noutros troços, noutros processos de construção, é muito importante que aquilo que é Porto-Vigo não seja beliscado, não seja prejudicado”, posição acompanhada por Alfonso Rueda, que defendeu que a ligação entre as capitais ibéricas “não pode impedir” um projeto considerado estruturante e destinado a “vertebrar” o País através da linha de alta velocidade”, algo de que “logicamente a Galiza sai beneficiada”.

Quanto ao Estudo de Impacto Ambiental do troço Porto-Vigo, ainda por publicar, o responsável galego considerou que “a tramitação em Portugal vai muito mais avançada do que vai em Espanha, sendo muito mais custosa e, provavelmente, mais complexa”, admitindo exercer “pressão política” sobre o Governo de Pedro Sánchez para que não “caia na tentação de utilizar possíveis atrasos em Portugal para continuar sem fazer nada”.

De acordo com o planeamento em curso, a ligação Porto-Lisboa deverá ficar concluída em 2032, com possíveis paragens em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria, enquanto o troço Porto-Vigo terá estações previstas no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.