O sistema biométrico de registo nas fronteiras da União Europeia, o EES, entrou na sua segunda fase, o que vai obrigar os países a aumentar o registo de viajantes para pelo menos 35 por cento, uma exigência que os operadores turísticos consideram como “incompatível” com a realidade, e que irá causar sérios problemas para os aeroportos: “Vai ser uma bagunça”, afirmam os especialistas.

O EES iniciou oficialmente a sua introdução faseada de 6 meses em Outubro do ano passado, tendo as autoridades fronteiriças dos 29 países do Espaço Schengen sido obrigadas a registar um mínimo de 10 por cento dos visitantes não pertencentes à UE, incluindo mesmo a recolha das suas impressões digitais e uma imagem facial.

Em Janeiro deste ano, essa exigência aumentou para um mínimo de 35 por cento, sendo que até ao próximo dia 10 de Abril, o EES deverá realizar o registo biométrico de todos os viajantes elegíveis.

Esta implementação tem sido afetada por dificuldades técnicas, falta de pessoal e longas filas, o que foi especialmente visível quando, durante a época natalícia, o caos se instalou em muitos aeroportos, onde se registarem situações inimagináveis, como foi o caso de Lisboa, onde chegaram a existir tempos de espera de 8 horas.

Na opinião de Olivier Jankovec, diretor-geral do Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), alertou, em declarações ao The Telegraph, que se as questões operacionais não forem resolvidas, os aeroportos e as companhias aéreas poderão enfrentar congestionamentos muito mais graves e perturbações sistémicas.

PROBLEMAS NÃO SÃO SÓ EM PORTUGAL

Após o caos sentido no aeroporto de Lisboa durante as férias do Natal, as autoridades portuguesas abandonaram as verificações biométricas, e voltaram a carimbar passaportes manualmente no início de 2026, tendo suspendido o sistema durante três meses. Recorde-se que as autoridades fronteiriças podem suspender temporariamente as verificações do EES, se necessário, e devem aplicar essa regra para minimizar os atrasos

Uma medida semelhante foi tomada no Reino Unido, onde a implementação do EES foi suspensa para passageiros de automóveis no porto de Dover em novembro, a pedido das autoridades francesas, e também em França, onde algumas dificuldades foram sentidas no aeroporto Charles De Gaulle, em Paris.

Os aeroportos espanhóis, incluindo destinos turísticos populares como Málaga, Tenerife Sul e Lanzarote, também têm sofrido atrasos graves. A Confederação Espanhola de Hotéis e Alojamentos Turísticos (CEHAT) alertou no início deste mês que as longas filas para a verificação de passaportes nos aeroportos “não são isoladas nem temporárias”.

Os sistemas biométricos e outros sistemas tecnológicos ainda não estão a funcionar em plena capacidade e apresentam graves deficiências nos tempos de resposta. A questão é agravada pela insuficiência de pessoal policial para atender à demanda real, observa a organização: “Estamos enfrentando uma situação comum em muitos aeroportos internacionais da Espanha que requer uma resposta imediata e coordenada do Estado”, afirma Jorge Marichal, presidente da CEHAT.